sábado, 14 de agosto de 2010

Caixinha de Surpresas

Como se tudo fosse apenas um mal entendido, fosse apenas um engano, ele tentava me explicar.

-Eu não queria. Juro para você que não queria, mas... - dizia ele um pouco nervoso. Eu nem conseguia falar- Mas... Mas eu...

-Você o que? Mas o que? - finalmente consegui dizer- Você pensou que eu não descobriria? Ou que não fazia mal?

Ele ficou em silencio olhando para baixo, fitei-o, sabia que ele sentia meus olhos pairar sobre ele.

-Eu não sei, apenas não queria que terminasse, muito menos assim- disse ele com uma voz melancólica, até chegou a levantar os olhos, mas tornou a abaixá-los quando percebeu que eu ainda o fitava.

Eu sabia que podia acabar, sempre acaba, mas não esperava isso.

Poderia até esperar que ele me traísse ficando com outra mulher ou até tentasse me separar do meu melhor amigo, por ciúmes meu com ele.

Mas isso tudo era ridículo.

Não que eu tenha preconceito, nada disso.

Mas poxa, isso não estava certo e eu tinha vontade de gritar e espernear que nem uma criança quando não consegue o seu sorvete tão esperado.

O meu namorado tinha me traído sim, e sim, também estava com ciúmes, mas não, ele não havia me traído com outra mulher, como e de costume, não mais uma vez, ele não estava com ciúmes de mim, como era de se esperar.

Como dizem: "a vida é uma caixinha de surpresas"

O meu maravilhoso namorado, pitada de sarcasmo, tinha me traído -nada mais nada menos- com o meu melhor amigo, e o seu lindo ciúmes, mais um pouco de sarcasmo, era dele, porque sendo meu melhor - pelo menos era a uns 15 minutos aproximadamente- eu passava muito tempo com ele.

Aquilo era tão estranho que chegava a ser engraçado.

Como dizem novamente: "a vida é uma caixinha de surpresas", nesse caso uma caixinha cor-de-rosa.